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Recuperação judicial no agro: o cenário preocupa, o clima pesa, o seguro rural se torna essencial

Atualizado: 26 de fev.

Endividamento crescente e perdas climáticas mostram que a ausência de seguro robusto acentua a vulnerabilidade do setor.



Imagem ilustrativa gerada por IA
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Endividamento no Agronegócio: Um Desafio Crescente


Um salto expressivo nos pedidos de recuperação judicial


Nos últimos anos, o instrumento da recuperação judicial (RJ) passou a ser usado com mais frequência por produtores e empresas do agronegócio. Não é apenas um último recurso, mas parte de uma estratégia para preservar a atividade diante de crises.


Segundo dados de 2025, produtores rurais pessoa física lideraram o crescimento na busca por recuperação. Isso é especialmente verdadeiro para aqueles que vivem de arrendamento ou não têm posse formal de terra. Apesar desses dados alarmantes, nem sempre o número de pedidos segue crescendo. No terceiro trimestre de 2024, houve uma queda de 40,7% em relação ao trimestre anterior. Isso sugere que o uso da recuperação judicial depende de uma combinação de fatores conjunturais.


Mesmo assim, o fato de o agronegócio representar uma parte crescente dos pedidos de RJ causa preocupação: no quarto trimestre de 2024, cerca de 6,5% das empresas em recuperação judicial no país pertenciam ao setor agropecuário.

A influência do clima adverso e outros fatores de pressão


Embora a pressão financeira de juros altos, aumento de custos (insumos, fertilizantes, crédito) e desvalorização cambial sejam fatores relevantes no endividamento, há consenso: o clima adverso desempenha papel central nas dificuldades do produtor.


Apesar da relevância evidente do clima, ainda não existe um estudo público e metodologicamente robusto que apresente um percentual consolidado capaz de afirmar: “X% das recuperações judiciais no agronegócio têm o clima como principal causa.”


Por que não há um percentual definitivo?


  • Natureza dos pedidos: As petições de recuperação judicial misturam várias causas. Endividamento, crédito caro, custos, preços das commodities e efeitos climáticos são algumas delas. Processos tipicamente listam múltiplas causas, tornando difícil classificar apenas uma como “principal” sem regras claras.


  • Falta de codificação padronizada: As bases públicas (tribunais, Monitor RGF, Serasa) registram volume e alguns atributos setoriais. No entanto, não têm, em geral, um campo padronizado “motivo principal: seca/enchente/etc.” que permita agregação direta.


Por fim, vale destacar que dados recentes sobre a inadimplência no crédito rural brasileiro indicam que variáveis como preços de cereais, custos de insumos (especialmente fertilizantes), câmbio e juros exercem influência decisiva sobre a capacidade de pagamento dos produtores. Nesse contexto, a recuperação judicial surge como uma válvula de escape. Contudo, representa uma medida extrema que evidencia fragilidades estruturais ainda presentes no agronegócio brasileiro.


Seguro rural: uma proteção ainda insuficiente, mas vital


Diante da combinação de clima imprevisível, risco de quebra de safra e pressão financeira, o seguro rural aparece como uma ferramenta essencial para garantir a resiliência do produtor. No entanto, apesar de sua importância, a cobertura ainda é muito limitada.


O seguro rural, quando bem estruturado e acessível, se apresenta como a ferramenta mais eficiente para reduzir vulnerabilidades e dar previsibilidade ao produtor. Contudo, a cobertura diminuta, a instabilidade nos subsídios públicos e outros fatores travam sua adoção em larga escala.


Por que o contexto atual exige uma nova cultura de gestão de risco no agro


O crescimento acelerado dos pedidos de recuperação judicial no agro, aliado à volatilidade climática e à fragilidade da cobertura, revela a necessidade urgente de repensar o gerenciamento de risco no campo. Entre as medidas que devem ganhar prioridade, destaco:


  1. Educação e conscientização: É fundamental que os produtores entendam a importância do seguro rural. Isso pode ser feito através de workshops e seminários.


  2. Acesso facilitado ao seguro: As seguradoras devem trabalhar para tornar o seguro rural mais acessível e compreensível. Isso inclui simplificar a linguagem e os processos.


  3. Inovação tecnológica: O uso de tecnologia pode ajudar a monitorar as condições climáticas e prever riscos. Isso permitirá que os produtores tomem decisões mais informadas.


  4. Colaboração entre setores: É crucial que haja uma colaboração entre produtores, seguradoras, instituições financeiras e o governo. Juntos, podemos criar um ambiente mais seguro e sustentável para o agronegócio.


Conclusão


O atual aumento nos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro mostra que o setor está fragilizado. Muitos produtores, diante de crises múltiplas (clima, custo, crédito, insumos), veem no Judiciário a única alternativa para manter suas operações. Porém, esse é um sintoma de um problema mais estrutural: a falta de uma cultura consolidada de gestão de risco no campo.


Para garantir a sustentabilidade do agro brasileiro, proteger a produção e evitar novas ondas de insolvência rural, é urgente um esforço conjunto. Precisamos fortalecer o seguro rural, democratizá-lo e transformá-lo em parte do planejamento estratégico do campo.

 
 
 

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