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O que o setor discutiu sobre seguro rural em webinar da FGV Agro

Evento reuniu representantes do setor e destacou os principais temas em debate no desenvolvimento do mercado.


Info Seguro Rural
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O debate sobre o seguro rural no Brasil ganhou um novo capítulo relevante no webinar O Futuro do Seguro Rural no Brasil”, realizado em 5 de maio de 2026 pela FGV Agro. Ao reunir representantes do governo, do mercado segurador e ressegurador, cooperativas, produtores, peritos e especialistas da pesquisa agropecuária, o encontro reforçou a centralidade do tema em um contexto de crescente instabilidade climática.


É justo reconhecer: a iniciativa é excelente. Como destacou Wady Cury (Unicoob Corretora), “ainda bem que seguimos discutindo esses temas; isso significa que não desistimos”. O ponto é válido. Promover o diálogo entre os principais agentes é condição necessária para qualquer avanço.


Ainda assim, a sensação predominante é de repetição. O debate continua orbitando em um campo previsível e, até certo ponto, confortável. Fala-se em previsibilidade orçamentária, produtos mais aderentes, bases de dados, fundo de catástrofe e cultura do seguro, temas essenciais, mas amplamente conhecidos por quem vive o mercado no dia a dia.


O problema não está no conteúdo, mas na profundidade. Falta enfrentar, com objetividade, as fragilidades estruturais e as assimetrias que travam o avanço do seguro rural na prática.

Quando o tema “dados” surge, ainda é tratado como gargalo. Talvez não seja mais. Como apontou Lucas Shauffer (APEPA), dados existem. O desafio agora é organizá-los, padronizá-los e, sobretudo, centralizá-los com um elemento inegociável: validação.


Essa lacuna dialoga diretamente com outra provocação de Wady Cury: “o produtor é muito vigiado”. Se há informação, por que ela ainda não se traduz, de forma consistente, em inteligência aplicada, produtos mais aderentes e decisões mais assertivas?


Talvez a frase mais incisiva do webinar tenha sido também a mais desconfortável e necessária: o produtor aprendeu a lidar com o seguro, mas o seguro não aprendeu a lidar com o produtor”. Aqui reside um ponto de inflexão. O produtor já evoluiu significativamente no domínio das regras, do timing e das limitações, inclusive aprendendo a navegar pelas falhas do sistema. Adaptou-se. O seguro, por sua vez, ainda opera com imprevisibilidade e alguns desafios operacionais.


Parte desse desalinhamento passa pelo papel dos intermediários. Em um país de dimensões continentais e grande diversidade produtiva, a atuação de corretores e consultores exige conhecimento técnico e proximidade com a realidade do agro.


Profissionais desconectados das especificidades regionais tendem a entregar menos valor. Em muitos casos, o produtor sequer estabelece relação direta com o seguro; o contato ocorre majoritariamente via perito, reflexo de uma contratação ainda fortemente atrelada ao crédito rural. Isso distorce a percepção do produto e limita o papel consultivo.


Há também um ponto crítico pouco discutido: os peritos evoluíram tecnicamente de forma significativa nos últimos cinco a seis anos. Estão mais qualificados e alinhados às exigências do mercado.


No entanto, a remuneração não acompanhou essa evolução. Permanece baixa e, muitas vezes, incompatível com a responsabilidade da função. Esse descompasso gera efeitos relevantes: aumenta o risco moral e desestimula investimentos em capacitação, tecnologia e eficiência operacional. No limite, compromete a qualidade do sistema.


Se o objetivo é evolução concreta, Bruno Valentim (Fenaber) indicou um caminho ainda subexplorado e potencialmente transformador: padronização de coberturas, taxas e, sobretudo, da regulação de sinistros.


Hoje, o seguro rural apresenta elevado grau de assimetria entre seguradoras, o que gera insegurança, ruído e dificuldade de compreensão para o produtor. No seguro de automóveis, por exemplo, há referências claras de mercado: o segurado sabe, com relativa previsibilidade, o que esperar em caso de sinistro.


Isso reduz conflitos, aumenta a confiança e eleva o nível de exigência. No rural, essa previsibilidade ainda é limitada. A provocação é objetiva: por que não avançar para parâmetros mínimos padronizados, sustentados por dados confiáveis e validados? Isso não engessa o mercado; ao contrário, eleva o nível competitivo. Obriga seguradoras a disputarem espaço por meio de serviço, eficiência e inovação.


Outro ponto relevante é o fortalecimento do PL 2.951/2024. Trata-se, de fato, de uma agenda estrutural. Mas permanece a questão central: quando haverá avanço concreto? O setor precisa de menos intenção e mais execução. Sem progresso legislativo, o debate segue avançando em um ambiente ainda carente de base sólida.


A discussão sobre subvenção direcionada por cultura ou atividade também merece atenção. O dado apresentado por Diego Almeida (MAPA), que mostra um crescimento de 30 vezes no valor segurado da pecuária com esse direcionamento, reforça que políticas públicas bem calibradas geram impacto real. Talvez esteja aí um caminho mais pragmático: menos generalização e mais precisão na alocação de recursos.


Cabe ainda destacar o papel do Proagro como instrumento para cobrir falhas de mercado, atuando onde o setor privado não possui apetite de risco. Sua função é essencial para o equilíbrio do sistema, mas demanda governança clara, definição de papéis e maior integração com o seguro rural tradicional.


O avanço do ZARC também é relevante, contribuindo para maior precisão na avaliação de risco. Ainda assim, a discussão poderia evoluir para sua efetiva incorporação na subscrição e na tomada de decisão e não apenas como referência técnica.


A conclusão é direta: o setor já conhece seus principais entraves e dispõe de direções claras para avançar. O que falta é senso de urgência, coordenação e, sobretudo, execução. Sem isso, o seguro rural continuará evoluindo mais no campo conceitual do que na prática.


Em um ambiente cada vez mais instável, o mercado tende a adotar uma postura defensiva, priorizando proteção e preservação e, com isso, limitando sua capacidade de desenvolver, inovar e capturar todo o potencial que o seguro rural pode oferecer.

 
 
 

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