O Agro precisa de previsibilidade: o bloqueio do seguro rural entrega exatamente o contrário
- Bruna Goulart

- há 18 horas
- 2 min de leitura
Governo bloqueia R$ 461,6 milhões do seguro rural em 2026.

O bloqueio de quase metade do orçamento do Seguro Rural não é apenas uma decisão fiscal. É um sinal preocupante sobre como o Brasil ainda trata a gestão de risco no agronegócio.
Enquanto o mundo discute mecanismos para aumentar a resiliência da produção de alimentos diante dos eventos climáticos extremos, nós seguimos discutindo se haverá ou não recursos para a principal ferramenta de proteção do produtor rural. É mole?
Sem seguro, o produtor assume sozinho riscos que estão cada vez maiores. E quando o produtor quebra, a conta não desaparece. Ela apenas muda de endereço. Vai para renegociações de dívida, programas emergenciais, socorro governamental e impactos em toda a cadeia econômica. É exatamente isso que estamos vendo hoje.
Os números já mostram um enfraquecimento gradual do programa nos últimos anos. Menos apólices, menos área segurada e menor previsibilidade para quem precisa planejar investimentos de longo prazo. Agora, com um bloqueio próximo de 50% dos recursos previstos, o mercado recebe mais uma mensagem de incerteza. E incerteza é exatamente o oposto do que um sistema de gestão de riscos precisa oferecer.
Essa preocupação já chegou ao Congresso Nacional. Diante do bloqueio de R$ 461,6 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o deputado federal Rodolfo Nogueira protocolou um requerimento para convocar os ministros André de Paula (Agricultura e Pecuária), Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) a prestarem esclarecimentos na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
O requerimento deverá ser analisado pela comissão na próxima semana e, se aprovado, o comparecimento dos ministros será obrigatório. A iniciativa chama atenção porque não se trata apenas de uma manifestação política. O objetivo é obter respostas concretas sobre os critérios utilizados para o bloqueio dos recursos, os impactos da medida para produtores rurais e seguradoras, os reflexos sobre o Plano Safra e as consequências para a oferta de crédito rural no país.
E a preocupação faz sentido.
A lógica do seguro rural é simples: quanto maior a previsibilidade, maior a proteção. Produtores, seguradoras, cooperativas, bancos e investidores tomam decisões de longo prazo. Nenhum desses agentes consegue planejar adequadamente quando a principal política pública de mitigação de riscos está sujeita a bloqueios que reduzem sua capacidade operacional.
Isso nos leva a algumas perguntas importantes:
Como o Brasil pretende ampliar a segurança da produção agropecuária sem fortalecer o seguro rural?
Como pretende expandir o crédito rural se a cobertura de riscos se torna mais limitada?
Como pretende reduzir pedidos de renegociação de dívidas e socorros emergenciais se enfraquece justamente a ferramenta criada para evitar esses problemas?
A questão central não é quanto custa manter um programa robusto de seguro rural.
A questão central é quanto custa não mantê-lo.
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