Responsabilidade socioambiental é essencial para o seguro rural
- Bruna Goulart

- 26 de fev. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de abr.
Info Seguro Rural
26.02.2024

Um ponto que merece destaque quando se considera o desenvolvimento do mercado de seguro rural no país, é a importância da rastreabilidade socioambiental dos produtores que utilizam a ferramenta de gestão de riscos.
As seguradoras precisam intensificar o monitoramento das operações e reforçar os compromissos das suas políticas corporativas em relação a possíveis violações ambientais, embargos, trabalho escravo e entre outros indicadores.
Através da tecnologia, as companhias podem, por exemplo, receber alerta sobre inconformidades e alterações nos termos durante a vigência das apólices.
Além disso, destaca-se a importância dos corretores de seguros ao questionar e observar minuciosamente os detalhes antes de um novo contrato.
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, explicou em matéria recente da Globo Rural, que as instituições financeiras concedentes de crédito e seguradoras, “podem ser consideradas responsáveis solidárias. Sem contar o risco de reputação e de imagem, que são imensuráveis.”
Outra perspectiva relevante é referente aos seguros abrangidos pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O diretor do Departamento de Gestão de Risco do MAPA , Jônatas Pulquério, afirmou em publicação (Linkedin), que a equipe está desenvolvendo melhorias dos procedimentos das análises socioambiental com a incorporação de uma plataforma customizada para o PSR que irá avaliar com maior acurácia os seguintes critérios:
Trabalho Escravo: Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão;
MTPS;
Áreas Embargadas: IBAMA;
Áreas Embargadas: ICMBio;
Terras Indígenas: FUNAI;
Unidades de Conservação: Ministério do Meio Ambiente - MMA;
Sítios Arqueológicos brasileiros cadastrados no IPHAN;
Territórios Remanescentes/Comunidades Quilombos:
INCRA;
Portanto, um sistema que permite recusar ou ajustar contratos se eles apresentarem desacordo com princípios socioambientais, são fatores básicos a serem incluídos na análise de qualquer seguro rural, além, de claro, promover maior a sustentabilidade do agronegócio nacional.
Além do mais, critérios socioambientais e fundiários passarão a ter peso real na aceitação ou recusa do risco pelas seguradoras:
Na prática, isso significa que uma área produtiva, tecnicamente viável e dentro do zoneamento pode, ainda assim, não ser elegível ao seguro. E o ponto crítico é: muitos produtores e até corretores ainda não sabem disso.
Com o avanço do uso de bases públicas, como CAR, áreas embargadas, sobreposição com unidades de conservação ou terras indígenas, as seguradoras conseguem realizar análises mais rigorosas, auditáveis e alinhadas às exigências regulatórias e de governança (ASG).
O impacto é direto:
propostas podem ser recusadas
contratos podem não ser renovados
o custo do seguro pode aumentar
o acesso ao crédito pode ser afetado
Ou seja, o risco deixou de ser apenas climático. Ele passou a ser também regulatório, ambiental e reputacional.
Em um cenário de maior pressão por rastreabilidade, sustentabilidade e compliance, a elegibilidade ao seguro passa a depender não apenas da lavoura, mas da regularidade da propriedade como um todo!
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